quarta-feira, março 28, 2007

Acabei de comprar Quando fui outro de Fernando Pessoa do selo Alfaguara.Na hora da pausa, o descanso de uma hora do trabalho, fui ao café e li o primeiro poema do livro.Mergulhei nos versos seguintes e quando dei por mim, os olhos estavam marejados; teimavam ceder e transparecer a minha fraqueza diante de tais palavras.
Poesia pode ser difícil e às vezes chato de ler, porque, provavelmente, não conseguiu tocar a pessoa de uma maneira mais objetiva.Porém, quando nos identificamos com certos poemas, a paixão é instantânea.
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Tabacaria
Fernando Pessoa

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

segunda-feira, março 19, 2007




Foi cansativo, trabalhoso e algumas vezes frustrante.

Mas como valeu a pena...

Três razões para ficar feliz e satisfeita.

terça-feira, março 13, 2007

Traduzindo:

A chapa tá quente no M.C
Sem amigos, não conseguiria sentar.

domingo, março 04, 2007


- Sem comentários -
Foto by Gláucio

domingo, fevereiro 25, 2007






Entre caixas & notas


Como disse Gláucio: "Volta pro mar, oferenda!"





Ah, mas eu gosto...rs

Quem quiser dar uma olhadinha nas fotos, be my guest!
www.flickr.com/photos/livrariadavila

sábado, fevereiro 17, 2007




Um dia desses entrou uma cliente solicitando um cd onde vários músicos fizeram diversas versões remixadas de canções da Nina Simone.Não tinha e acabei encomendando um.Fiquei encafifada e logo em seguida procurei no oráculo - google - o disco.Mas acabei me deparando com outros cujas músicas foram também remixadas, de Ella a Astrud Gilberto.O nome desse cd, aliás, dessa coleção é Verve Remixed.Depois de tê-los baixados no emule, o vício tomou conta.É pra ouvir em casa, no computador, no carro, no mp3, em qualquer lugar! mas com o volume no talo, caceta!

Destaque para faixas:
  • Sarah Vaughan - Whatever Lola Wants - Gotan Project
  • Archie Shepp - Blues For Brother George Jackson - Mondo Grosso Next Wave
  • Ramsey Lewis - Do What You Wanna - Mr. Scruff's Soul Party
  • Cal Tjader - Soul Sauce - Fila Brazillia
  • Nina Simone - Feelin' Good - Joe Claussell
  • Willie Bobo - Fried Neckbones And Some Home Fries - Dan The Automator
  • Dinah Washington - Is You Is Or Is You Ain't My Baby - Rae & Christian
  • Nina Simone - little girl blue - Postal Service
Simplesmente foda.

Ah, o tal cd da Nina Simone, não é grande coisa...

terça-feira, fevereiro 13, 2007





MERDA ATRÁS DE MERDA
*blog em modificação*


quinta-feira, fevereiro 08, 2007


Cismo em colocar reportagens como essa no Blog...

"Pode chamar de abraço eterno.Arqueólogos italianos descobriram os esqueletos de um casal que teria sido sepultado abraçado há mais de cinco mil anos. - É um caso extraordinário - disse Elena Menotti, que liderou a equipe nas escavações perto da cidade de Mantova, norte do país. - Eles estão realmente se abraçando. Menotti disse acreditar que os dois - quase certamente um homem e uma mulher , embora ainda não tenha sido confirmado - morreram jovens, porque suas arcadas dentárias estavam quase inteiramente intactas e não estavam gastas. - Quando os descobrimos, ficamos muito entusiasmados.Tenho esse emprego há 25 anos.Fiz escavações em Pompéia e vários sítios famosos, mas eu nunca fiquei tão comovida assim, porque esta é a descoberta de algo especial. Um laboratório tentará determinar a idade do casal, a época da morte e há quanto tempo estão enterrados."

...e percebo que nunca cansarei!

:D

fonte:oglobo.com

quinta-feira, fevereiro 01, 2007



Meu ano começa agora.1º de fevereiro, mês aquariano, quinta-feira de sol e muitos livros ao redor.Às nove da manhã já de prontidão na reunião sobre a rotina da livraria e muita ansiedade para dar o start na seção de Psicologia com Amaury.Inicío nesta área por solicitação própria devido a minha falta de experiência e por assim dizer, ignorância neste quesito.Semana que vem, área de literatura e música/dvd's.

Quem quiser encomendar livros e afins, email-me: beta@livrariadavila.com.br

Ainda me encontram na Vila Madalena...já no final deste mês, provavelmente na Lorena.

:P

Ontem, numa noite super agradável, fomos numa feira de automóveis no sambódromo de SP.De cara, uma fila com carros tunados e cada proprietário apresentadando a potência e/ou a peculiaridade do seu grande amor.Certas caixas de som poderiam até mesmo sonorizar a passarela inteira! e claro, as músicas estavam inseridas no contexto - não do local - e sim das pessoas ali presentes: funk, tecno ou Hip Hop.A cultura paulistana manifestava-se.Tirei a camera da mochila e decidi fotografar o máximo que podia.Decepção.A porcaria da máquina ficou ligada durante o trajeto de carro da minha casa até o Anhembi e nem uma fotinha sequer foi registrada.Bom, até foi...do celular da Raca...mas também não durou muito.Whatever.Seguimos em frente, Raca e Eu, Chico Lu e Murilo, para verificar os carrinhos antigos.Me senti em wonderland.Casais dançavam músicas dos anos 50 tendo como cenário os automóveis da época.Chegando ao pátio central, Beatles na rádio oficial do evento e xilhões de modelos de várias décadas para sonhar.O casal Jofilsan pesquisava e pesquisava mas não chegava num consenso.No final da noite, não agüentei e anotei todos os telefones possíveis de Fuscas para, quem sabe, num futuro próximo, rodar nas ruelas desta cidade.


Fãs de carros antigos, anotem!

AutoShow Veículos Antigos e Especiais
Sambódromo do Anhembi
Todas as terças a partis das 19hs.



quinta-feira, janeiro 25, 2007

Balzac: recomendo a todos
Ricardo - o Venturelle, desde os idos do colégio Acadêmico, amigo de anos - disse que faria uma camiseta com esse dizer acima, depois de eu ter sugestionado essa idade para ele.Realmente, ser uma mulher de 30 tem o seu valor.Parece que os pensamentos ficam mais claros, simples.O lado ruim é que a paciência para certos assuntos fica mais curta, menos tolerável, principalmente para temas amorosos.
*
Depois da turbulência do saturnão, me encontrei.Ainda não tenho certeza sobre tudo (e ninguém terá) mas sei o que quero e vou atrás porque sei que o obstáculo será apenas uma questão de tempo.Tempo este, inexorável e indulgente.As desavenças serão constantes, porém, entendo e respeito suas vontades.
*
Duas idades me marcaram muito: 25, por ter sido a transição entre a jovem para a adulta.Onde tudo é novo e revigorante, a ansiedade continua mas mais controlada; e 30, por ser a transição da jovem-adulta para mulher de verdade.
Portanto, mais uma vez:
Balzac: leia e aplique.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Surpresa:
-ato ou efeito de surpreender ou de ser surpreendido;
-sobressalto;
-prazer inesperado;
-notícia ou coisa que alguém prepara para surpreender outra;
-sucesso imprevisto.

É, meu final de semana no Rio de Janeiro se resumiu em todas as definições acima.

Inesquecível.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Natal


Queijos e vinhos
Originally uploaded by betamais.
Não me lembro de ter tido uma noite de natal tão tranqüila e serena.Cozinhei o dia inteiro mas com muita satisfação, até porque, amo esse ofício...rs
Música boa tocando, de Mutantes à Modern Jazz Quartet, ventinho batendo no rosto e as pernetas no ar.
Hoje, dia 25, nada para fazer - bem, existe a louça mas isso é outro assunto...rs - apenas escutando Beatles in choro e me preparando para a maratona de filmes para assistir no Lap.

Bom Natal para todos e muita paz!

sábado, dezembro 16, 2006


Arnaldão 3

Debaixo d'agua

Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia

Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia






Arnaldão 2

Se tudo pode acontecer

se tudo pode acontecer
se pode acontecer qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover

pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão
um relâmpago na escuridão

e a gente caminhando de
mão dada de qualquer maneira
eu quero que esse momento
dure a vida inteira
e além da vida ainda
de manhã no outro dia
se for eu e você
se assim acontecer

se tudo pode acontecer...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

P.148 - Como é que chama o nome disso - Antologia


Minha vez de tietar!
Originally uploaded by betamais.
O meu tempo não é o seu tempo.
O meu tempo é só só meu.

O seu tempo é seu e de qualquer pessoa,
até eu.

O seu tempo é o tempo que voa.
O meu tempo só vai onde eu vou.

O seu tempo está fora, regendo.
O meu dentro, sem lua e sem sol.

O seu tempo comanda os eventos.
O seu tempo é o tempo, o meu sou.

O seu tempo é só um para todos,
O meu tempo é mais um entre muitos.

O seu tempo se mede em minutos,
O meu muda e se perde entre outros.

O meu tempo faz parte de mim,
não do que eu sigo.

O meu tempo acabará comigo
no meu fim.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Marido canta e mulher acorda após 10 anos em coma na China.
O globo

Uma chinesa recuperou a consciência após 10 anos em coma, depois de seu marido passar todo esse tempo cantando ao lado da sua cama, informou nesta quinta-feira o jornal “china daily”.
O casal, que se conhecia desde a infância, está casado há 50 anos e vive na cidade de Nanjing, capital da província de Jiangsu, no leste da China.
Chang entrou em coma em 1996, após uma grave doença;Seu marido, Yang, lembrou que quando os dois eram jovens uma das coisas de que ela mais gostava era ouvi-lo cantar.
Com a esperança de despertar a mulher, Yang, que atualmente está com 75 anos, começou a aprender a tocar teclado e compor canções para ela.
Segundo os médicos, Chang abriu os olhos em que Yang acabava de cantar um desses temas, e pronunciou “claramente” o nome do marido.
Gente, depois de ler essa matéria fiquei com os olhos marejados...sabe quando vários ciscos caem nos olhos ao mesmo tempo? pois é...ou a história é realmente tocante ou a minha tpm já chegou avisando que a chapa tá quente...

terça-feira, novembro 28, 2006

Aleluia, aleluia!!!
Aconteceu o tão esperado e já desacreditado momento: reconheceram os meus poderes para com a arte, especialmente em livros.Depois de passar nos desafios penosos e agustiantes, enfim contratam os meus serviços para a Livraria da Vila.Na quinta-feira passada eu já havia ficado esperançosa devido à conversa que tive com Samuel Seibel; um papo descontraído e aberto, sem a tensão que uma provável entrevista com o dono traria.
Esse emprego parece ser - a olhos distantes - uma oportunidade corriqueira.Mas não é.Em um texto já exibido neste blog, apresentei minhas desilusões, anseios e a direção voltada - agora sim - exclusivamente para a realização profissional.Comentei também que havia encontrado uma pessoa muito simpática e que o projeto mostrado (abertura de livraria) era bastante interessante.Tudo ao contrário.A pessoa se revelou desorganizada, desconfiada e o pior: caloteira.Mas como a Dona Cenoura falou, esse processo valeu como aprendizado.A rasteira existe e é perigosa, mas serve para acordar e seguir em frente com os objetivos.
Portanto, gostaria de agradecer a várias pessoas que participaram desse sofrimento, especialmente neste último percalço...rs
Mas em especial, Lucía.A verdadeira boneca de luxo.Sem ela, não saberia da vaga e da filial no Jardins...rs
Então em janeiro, o blog estará mais solitário...
Hoje a jaca será inteira!

terça-feira, novembro 21, 2006

Antes de mostrar as fotos das esculturas perturbadoras de Ron Mueck (Aus-1958.) preciso informar de antemão aos cardíacos e sensíveis de plantão: olhar muito para cada foto pode causar xerostomia (a famosa boca seca) e, se estiverem visitando o Brooklyn Museum of Art de bobeira até o dia 4 de fevereiro do ano que vem, saibam que vocês serão os intrusos, os intimidadores.Vejam porquê:

Ron Mueck utiliza fibra de vidro, silicone, rezina acrílica e poliéster para suas realizar suas obras.
Quem quiser saber mais a respeito deste artista sobrenatural, pode encontrar matérias interessantes no livro Art Now vol.2 (Taschen), no site Arte: e numa infinidade de links no Google.

sexta-feira, novembro 17, 2006




Exalo exato
fumo não trato

.desordem.